
O dia em que ele parou de tocar
Foi em 2015. O Hélio Tanomaru estava no segundo ano da faculdade e tocava do jeito que aprendeu: dedo, dedo, dedo, forçando cada tecla. De tanto forçar, veio a tendinite nos dois antebraços e um cisto no punho, quase do tamanho de uma azeitona. Ele perdeu flexibilidade e tinha tanta dor que não conseguia mais tocar.
Na mão esquerda, o problema maior era o polegar, baixo e com a articulação da base torcida, que ficou desgastada. A dor latejava até sem tocar. Fez fisioterapia e, com o livro de Thomas Mark sobre o corpo do pianista, entendeu que o problema estava na posição do polegar. Corrigir essa posição tirou essa dor, e hoje ele diz que o polegar baixo foi uma das causas do cisto.

Sete anos de pesquisa
Sem poder tocar, ele passou horas com um espelho pequeno, imitando as mãos de Valentina Lisitsa, Daniil Trifonov e Martha Argerich em vídeos. Conseguia reproduzir o gesto, mas levou anos para entender o que fazia e conseguir ensinar.
Estudou biomecânica para pianistas, a escola russa e outras abordagens, com professores de fora do país. Algumas reduziram a dor, mas deixavam o som duro.
As dores fortes duraram sete anos, de 2015 até o começo de 2022. O ponto de virada foi trocar um movimento circular, comum no ensino tradicional, por um movimento que ele chama de anticircular. Depois dessa troca, as dores ficaram bem menores, até sumirem de vez. Como o anticircular é feito é uma das aulas centrais dos cursos.
Hoje ele toca por horas, em repertório muito difícil, sem dor. O que ainda sente, às vezes, vem do mouse, editando vídeos, e não do piano.
O que estava errado no movimento
Olhando hoje, o Hélio Tanomaru vê um conjunto de erros, os mesmos que encontra nos alunos que chegam com dor:
- Chegar duro ao fundo da tecla: o impacto desgasta o músculo e inflama o tendão.
- Contrair sem soltar. Quem contrai em cima de uma contração trava o músculo: vem o cansaço, depois a queimação e, insistindo, a dor.
- Dedo curvado demais. Quanto mais fechado o dedo, mais lento o movimento e mais o antebraço trabalha.
- Mão em conchinha. Com a mão já curvada em cima das teclas, a pinça não existe. Sobram o dedo empurrando e a garra, que cansam o antebraço. O detalhe está em posição da mão no piano.
- Polegar baixo e mão forçada aberta, que sobrecarrega a articulação.
- Dedo mole compensado pelo antebraço duro: quando o dedo afunda, o corpo endurece o antebraço para segurar.

O que ele mudou e ensina hoje
A Técnica Tanomaru é o resultado dessa troca de movimento, e cada ponto responde a um dos erros acima:
- Uma posição de partida da mão diferente da conchinha, com lugar definido para cada dedo e para o polegar. Sem ela, a pinça, o movimento mais rápido e mais leve da mão, não acontece.
- O braço participando de cada nota, para o dedo não fazer toda a força sozinho. Ficar parado trava a mão; mexer solta, mas existe uma regra para quando e para onde o braço vai.
- Um jeito preciso de deixar o dedo firme e o braço livre ao mesmo tempo, sem relaxar tudo e sem fazer força.
- Cada movimento tem direção, tamanho e momento certos, e é aprendido um de cada vez, com correção.
Esses movimentos estão explicados em como tocar piano sem tensão, e o que acontece no antebraço, em dor no antebraço e no ombro ao tocar piano.

Se você está com dor agora
O Hélio Tanomaru não é médico nem profissional da saúde. Dor forte, que continua depois de parar de tocar, ou que vem com formigamento, inchaço ou perda de força, pede avaliação de um médico ou de um fisioterapeuta. A técnica entra em outra parte: mudar o movimento que se repete ao piano.
Ele também aprendeu, no próprio corpo, que só a técnica nem sempre basta: com o músculo preso há muito tempo, a musculatura precisa ser solta. Os nódulos do antebraço dele levaram cerca de um mês para soltar. Alongar depois de tocar e aquecer antes fazem parte da rotina dele até hoje. E há um ciclo que ele conhece bem: quem tem dor freia a mão antes do fundo da tecla, toca mais tenso e sente mais dor.
Perguntas frequentes
Dá para voltar a tocar piano depois de uma tendinite?
O Hélio Tanomaru voltou, e hoje toca repertório muito difícil. O caminho passou por avaliação profissional, por tempo e por trocar o movimento que causava o problema. Quem volta a tocar do mesmo jeito tende a ver a dor voltar.
Quanto tempo o Hélio Tanomaru ficou com dor?
As dores fortes duraram de 2015 até fevereiro ou março de 2022, quando ele trocou o movimento circular pelo anticircular. Depois disso, a dor diminuiu até sumir.
Mão curvada causa tendinite?
Curvar a mão em cima das teclas tira a pinça e faz o antebraço trabalhar mais. Mantido por anos e com velocidade, é esse travamento que o Hélio Tanomaru associa à tendinite e ao cisto.
Tocar devagar evita tendinite?
Não por si só. No lento, o dedo pode continuar empurrando a tecla com o antebraço duro. O que protege é o movimento, e lento e rápido usam movimentos diferentes, como explica por que a mão trava quando você acelera.
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