
Lento e rápido são movimentos diferentes
Numa aula do Pianista Virtuoso, o Hélio Tanomaru mostra Valentina Lisitsa tocando o mesmo trecho devagar e rápido. No lento, cotovelo e punho ficam quase imóveis. No rápido, o cotovelo e o braço se mexem de forma visível e os dedos chegam a ficar no ar. São dois jeitos de tocar, e o segundo não nasce sozinho do primeiro.
É por isso que quem estuda só lento para em 60 ou 70 por cento da velocidade, como ele diz: repete mil vezes um movimento de lento e espera que ele vire um movimento de rápido.
Quando um aluno disse que travava ao acelerar, mas que devagar saía, a resposta foi esta: as etapas que se veem no lento somem no rápido, e quanto mais rápido, mais curtos os movimentos. O gesto do rápido precisa ser aprendido como um movimento próprio.
Só dois movimentos são rápidos
Os movimentos de punho, de braço e de dedo que a maioria usa existem e têm função, mas são lentos perto de dois: a pinça e a rotação do antebraço. Martha Argerich parece ter sido feita por computador, nas palavras do Hélio Tanomaru, porque usa os dois o tempo inteiro.
A pinça só acontece a partir de uma posição de mão que a maioria não tem. Com a mão em conchinha, o que sai é a garra ou o dedo empurrando a tecla, que são lentos e cansam. É o primeiro ponto a corrigir, e está em posição da mão no piano.
A rotação é minúscula e quase invisível, e tem regras precisas, ensinadas uma de cada vez. O círculo de punho do ensino tradicional atrapalha esse movimento, e por isso o Hélio Tanomaru usa outro gesto, que chama de anticircular.
O que trava a mão
Além da mão em conchinha, alguns erros aparecem quase sempre em quem trava:
- Dedos colados uns nos outros. A mão vira uma tábua, um dos maiores sabotadores de velocidade.
- Mão fugindo das teclas pretas. Longe delas, o dedo fica mole e fraco, como quem tenta correr dentro da água.
- Ficar parado no mesmo lugar. Ficar parado trava a mão; mexer o braço solta.
- Contrair sem soltar. Contrair de novo antes de terminar de soltar é tensão, e o som batido denuncia.
- Segurar as notas no rápido. Não dá tempo de ligar uma nota na outra, e quem tenta trava.
- Tocar na superfície. Sem o fundo da tecla, não há propulsão: é ele que empurra o dedo.
- Pensar em cada nota. Nas escalas e arpejos muito rápidos, um grupo inteiro de notas precisa virar um gesto só, e como isso é feito é uma das partes centrais do curso.
Como estudar para destravar
O estudo lento continua, mas de outro jeito. Lento com as mãos, rápido com a mente: os dedos vão devagar, e a cabeça já antecipa o próximo acorde, o dedilhado e o ponto onde costuma errar.
As variações rítmicas são, para ele, a melhor forma de treinar agilidade sem travar o músculo: cada variação faz um trecho rápido e para, e a parada mostra se a mão está dura.
Com o metrônomo, começa-se no andamento em que tudo sai certo. Daí em diante existe uma progressão certa, e ela não é "sobe até travar": quando trava, voltar um pouco funciona mais do que forçar. E sem paradinhas: é muito melhor devagar e sem parar do que correr, parar e correr de novo.
O que muda do lento para o rápido não é só o andamento. É o tamanho, a direção e o momento de cada movimento, e isso se aprende em ordem, com correção, até os movimentos ficarem quase invisíveis, como nas mãos dos grandes pianistas.
Velocidade e dor andam juntas
Quem força o andamento com o movimento errado paga no antebraço. Foi forçando os dedos para tocar rápido que o Hélio Tanomaru teve tendinite nos dois antebraços e um cisto no punho na faculdade, como conta em tendinite e piano. O que acontece no antebraço está em dor no antebraço e no ombro ao tocar piano.
Ele não é médico nem profissional da saúde. Dor forte, que continua depois de parar de tocar, ou que vem com formigamento, inchaço ou perda de força, pede avaliação de um médico ou de um fisioterapeuta. A técnica entra em outra parte: mudar o movimento que se repete ao piano.
Perguntas frequentes
Por que no lento dá certo e no rápido trava?
Porque lento e rápido usam movimentos diferentes. No rápido, só a pinça e a rotação dão conta, e elas pedem uma posição de partida e um movimento de braço que a maioria não tem.
Tocar muito devagar e ir subindo o metrônomo resolve?
Só até uns 60 ou 70 por cento da velocidade. Para chegar ao rápido, é preciso treinar o movimento do rápido, e o melhor jeito são as variações rítmicas, que fazem um trecho rápido e param.
Exercícios de Hanon e Czerny dão velocidade?
Depende de como são feitos. Exercícios de dedo dão a sensação de fortalecer, mas podem colocar a mão numa posição forçada. O Hélio Tanomaru usa o Hanon nº 1 de outro jeito, com o braço participando.
Minha mão trava nas notas repetidas. O que fazer?
Ficar no mesmo lugar trava. As notas repetidas pedem a pinça com um gesto curto, pensadas em grupos, e um pequeno movimento que tira a mão do lugar a cada grupo. A direção dele é uma das coisas corrigidas nos cursos.
Próximo passo
Tocar rápido é resultado de um conjunto de movimentos que se aprendem em ordem, do lento ao quase invisível. A Formação Completa reúne todos os cursos do Instituto Tanomaru, do iniciante ao avançado, com aula ao vivo toda semana. Se você não sabe em que nível entrar, o guia gratuito Seu caminho mostra por onde começar.
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