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Como ler partitura mais rápido: leitura à primeira vista e como treinar

Para ler partitura mais rápido, leia um pouco todo dia, com peças abaixo do seu nível de repertório, sem parar quando errar e sem olhar para as mãos. Para o Hélio Tanomaru, as técnicas de leitura em si cabem em dez ou quinze minutos de explicação. O problema de quem não lê bem não é não saber como; é não ler. E quem lê bem aprende as músicas muito mais rápido do que quem pulou essa etapa.

Os 7 livros do Hélio Tanomaru, com o repertório organizado por nível.
Os 7 livros do Hélio Tanomaru, com o repertório organizado por nível.

Ler e estudar são coisas diferentes

Parar, fazer mais lento, separar as mãos e repetir um trecho é estudar. Ler é seguir em frente. Muita gente nunca desenvolve a leitura porque está sempre estudando: toca duas notas, erra, volta, corrige. Na leitura à primeira vista, a ordem é o contrário. Primeiro atropela, depois corrige.

Antes de tocar: analisar e escolher o andamento

Começar a tocar sem olhar a partitura é um dos erros mais comuns. Antes da primeira nota, vale olhar a fórmula de compasso, a tonalidade, as mudanças de posição e o trecho mais difícil.

O andamento é escolhido por esse trecho mais difícil, e não pelo começo fácil. É o ponto em que, nas palavras do Hélio Tanomaru, o pessoal erra muito feio: escolhe a velocidade pelo primeiro compasso e muda de andamento no meio. Ache o trecho difícil, imagine-se tocando e escolha a velocidade em que dá conta dele, um pouco desafiadora. Essa velocidade vale para a música inteira, desde o primeiro compasso.

Durante a leitura: atropelar as notas, nunca o ritmo

Na leitura, a regra que ele mais repete é esta: pode errar nota, não pode errar ritmo. Se uma nota escapou, siga. Voltar ao começo é proibido. Com o ritmo mantido, o cérebro aprende a ler no tempo, que é o que a leitura à primeira vista exige.

Outras regras do momento da leitura:

Os três tipos de leitura

A leitura fica sempre um pouco abaixo do nível do repertório. Quem toca uma peça difícil provavelmente não a leria à primeira vista. O Hélio Tanomaru divide o treino em três tipos:

Só fácil deixa a pessoa parada, chovendo no molhado. Só difícil afeta a autoestima e desmotiva. É a curva de estresse descrita por Yerkes e Dodson, em termos simples: com pouco desafio a gente procrastina, com o desafio certo rende mais, e com desafio demais vêm a ansiedade e a queda de rendimento. Para saber em que nível está cada peça, ajuda o repertório de piano clássico por nível.

Tocar sem olhar para as mãos

Quem depende de olhar para baixo chega a um ponto em que a leitura não melhora mais. Quem lê bem quase não olha para as mãos. O caminho é se forçar, mesmo errando mais no começo.

Mexer os olhos, não a cabeça. Mexer a cabeça para baixo e para cima é a pior coisa: a vista não foca e a pessoa se perde na partitura. Olhar para um ponto fixo à frente, usando a visão periférica, em vez de seguir a mão em movimento.

Para treinar o tato, ele sugere passar a mão pelas teclas sem olhar, sentindo os grupos de duas e de três teclas pretas; mover a mão ao acaso, parar e perguntar em que nota está um dedo, deduzir e só depois olhar. Com muito vício, tocar peças fáceis com uma toalha de banho sobre as mãos.

Ler de verdade, e não deduzir

Contar a partir do Dó para achar cada nota é só o começo. Quem fica nisso para sempre nunca fica fluente, porque é um cálculo enorme a cada nota. Cada nota precisa ganhar uma referência própria na pauta e no teclado, como uma palavra que você reconhece sem soletrar.

Por isso ele proíbe escrever o nome ou o número do dedo em toda a partitura. A lápis, fraquinho, numa ou outra nota, e apagando conforme lembra.

Quanto e quando ler

Quinze ou vinte minutos por dia valem mais do que quatro horas num sábado. Quatro horas de leitura no seu nível é insuportável para o cérebro, e se não for, a leitura está fácil demais.

Ler cansa a mente mais do que só tocar, então precisa ser no horário em que você tem energia. Marcar como compromisso, com alarme para começar e para terminar, e deixar as partituras separadas e à mão, porque a hora livre nunca aparece sozinha. Quem começa adulto e acha que é tarde para aprender a ler encontra o contrário em aprender piano depois de adulto.

Perguntas frequentes

O metrônomo não deixa a leitura robótica?

Não. Primeiro se aprende o centro exato do tempo; depois, quem sabe onde ele está consegue acelerar e frear com consciência. Fazer o contrário, e tocar livre antes de saber o tempo, é o que deixa a pessoa insegura em público.

Ler muito pode viciar o movimento?

Pode, se a pessoa lê muito sem cuidar da técnica. O ideal é fazer o movimento certo já na leitura, quando der. Para quem ainda lê com dificuldade, primeiro as notas e o ritmo, e o movimento em seguida. Quem sente a mão endurecer ao ler encontra o porquê em como tocar piano sem tensão.

Em quanto tempo vou ler bem?

Depende de quanto se lê, e não há número honesto. O que o Hélio Tanomaru garante é a direção: quem lê quinze minutos por dia, no nível adequado, sem parar no erro e sem olhar para as mãos, melhora de forma constante. Quem lê quatro horas uma vez por mês, não.

Próximo passo

Ler bem é o que mais acelera o aprendizado das músicas. A Formação Completa reúne todos os cursos do Instituto Tanomaru, do iniciante ao avançado, com aula ao vivo toda semana. Se você não sabe por onde começar no seu nível, o guia gratuito Seu caminho mostra a ordem dos cursos para o seu caso.

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