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Repertório de piano clássico por nível: por onde começar

Comece por peças simples, muitas, e bem feitas. É assim que o Hélio Tanomaru organiza o repertório dos alunos: canções curtas no começo, peças de Bach, Beethoven, Schumann e Debussy no meio do caminho, e as peças grandes de Chopin e Rachmaninoff quando a técnica inteira já está no lugar. A música que você ama entra na conta, mas ocupa uma parte pequena do estudo.

Martha Argerich, uma das pianistas cujo movimento das mãos o Hélio Tanomaru estudou.
Martha Argerich, uma das pianistas cujo movimento das mãos o Hélio Tanomaru estudou.

A regra que vale para todos os níveis

Um aluno perguntou se podia passar horas só na peça que ama, citando o Estudo op. 10 nº 1 de Chopin e o Concerto nº 3 de Rachmaninoff. A resposta do Hélio Tanomaru foi direta: só uns 20% do tempo. A formação de um pianista vem de muitas peças mais simples bem feitas.

A divisão que ele sugere para quem está na base é esta: até uns 20% do tempo na música que você ama, até uns 30% em técnica, e o resto nas músicas do livro do curso.

O motivo é simples. Um estudo de Chopin pede a técnica completa, tudo ao mesmo tempo. Uma música simples usa um elemento aqui, outro ali. É nela que cada elemento se aprende com calma, e é por isso que a peça pequena vale tanto.

Os 7 livros do Hélio Tanomaru, usados nos cursos, com o repertório organizado por nível.
Os 7 livros do Hélio Tanomaru, usados nos cursos, com o repertório organizado por nível.

Nível iniciante: canções curtas com conteúdo técnico

A primeira melodia que o iniciante lê na partitura, na Técnica Tanomaru, é o começo do Hino à Alegria, de Beethoven, com a mão direita na posição de Dó. Depois vêm as peças do livro dos Iniciantes do Instituto Tanomaru, que são canções tradicionais e infantis: London Bridge, Long Long Ago, Yankee Doodle, O velho Mário tinha um sítio. A última peça do livro é um tema do Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky.

Parecem fáceis demais para um adulto. Não são. Cada uma resolve um problema que vai aparecer de novo nas peças grandes:

Os exercícios da base parecem bobos, mas resolvem muito problema.

Quem quer logo uma música conhecida pode ir ao começo de Für Elise e a uma versão facilitada da Sonata ao Luar, as duas de Beethoven. O Hélio Tanomaru avisa que isso é pular etapas: são peças para sentar e praticar ao longo de vários dias, decodificando nota a nota e trecho a trecho.

Nível intermediário: as peças que chegam às masterclasses

Nas masterclasses e nas aulas dos alunos intermediários, as peças que aparecem já são o repertório clássico que a maioria dos adultos sonha tocar:

Um recado que o Hélio Tanomaru repete nessas aulas: quando o problema aparece na peça, a solução costuma estar no livro de exercícios do curso, e não em insistir só na peça.

O Rodrigo, antes e depois de reorganizar a técnica. Toque para ouvir.

As peças grandes: Rachmaninoff e Chopin

Os Prelúdios op. 23 nº 5 e op. 3 nº 2, de Rachmaninoff, também chegam às aulas dos intermediários, e são de outro tamanho. Saltos rápidos, oitavas fortes, grandes aberturas na mão esquerda, quatro camadas de som ao mesmo tempo. É repertório que cobra tudo o que veio antes.

O Hélio Tanomaru conta que tocou o op. 23 nº 5 quando sabia um terço da técnica que tem hoje, e que ligava as notas da mão esquerda, um vício que corrigiu depois. No trecho mais difícil do op. 3 nº 2, ele diz na própria gravação que não consegue tocar aquilo naquele momento, e mostra como estudaria: separando as camadas, com variações rítmicas contadas em voz alta e com metrônomo.

As ferramentas que ele usa nessas peças servem para qualquer salto ou passagem difícil:

E um aviso sobre Chopin. Um professor ficou três aulas com o Hélio Tanomaru nos primeiros compassos da Balada nº 1. Ele cita isso como exemplo do que não fazer: avance por trechos e chegue logo ao fim da peça.

Entenda a lógica do método, com o Hélio Tanomaru.

Como escolher a próxima peça

Perguntas frequentes

Posso começar pela música que eu amo?

Pode tê-la no caminho, mas ela ocupa uma parte pequena do tempo, uns 20%. O resto vai para peças mais simples bem feitas, que é de onde vem a formação.

Für Elise e Sonata ao Luar servem para iniciante?

O começo de Für Elise e uma versão facilitada da Sonata ao Luar, sim, com a ressalva de que é pular etapas. Für Elise começa em anacruse, no tempo 3 do compasso, e muita gente conta errado desde a primeira nota. São peças para praticar ao longo de vários dias.

Preciso de Czerny, Beringer e outros livros de exercícios?

A técnica pode ocupar até uns 30% do estudo. Os exercícios ajudam quando são bem escolhidos para a sua mão, mas não substituem as peças.

Próximo passo

A Formação Completa reúne todos os cursos do Instituto Tanomaru, do iniciante ao avançado, com aula ao vivo toda semana. Para descobrir em que nível você está e por onde começar, use o guia gratuito Seu caminho.

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