
Idade não é o problema
O Hélio Tanomaru só ensina a Técnica Tanomaru a partir dos 9 anos. Antes disso, ele prefere o jeito tradicional, com metáforas e bichinhos, porque o método pede que a pessoa pense no movimento da mão. O adulto faz isso sem dificuldade: entende uma regra, aplica e confere se deu certo.
O que o adulto costuma trazer é outra coisa: anos de mouse, celular e sacola pesada na mão. Quando um aluno pergunta por que o antebraço queima depois de uma hora tocando, a resposta do Hélio Tanomaru quase sempre é técnica, somada a esse acúmulo do dia a dia. Não é falta de alongamento, e não é a idade. É o jeito de usar a mão, e isso se aprende.
Mão pequena também não é desculpa. A mão de quase todo mundo é pequena para o piano. Quando o dedo não alcança, o que falta é rotação do antebraço, não dedo.
Por que vale a pena começar agora
Piano leva muitos anos. Mas não é preciso tocar muito bem para ser feliz com ele. O Hélio Tanomaru compara com o kart e o futebol: ninguém precisa ser Ayrton Senna para gostar de andar de kart, nem Messi para jogar bola com os filhos.
Tocar emociona muito mais do que só escutar, e isso vale para quem toca uma fração do nível profissional. É um tempo que a pessoa faz por si, e não pelo trabalho ou pelos outros, no lugar de rolar a tela do celular ou ver série atrás de série.
Começar certo desde o primeiro dia
Tudo o que se repete vira o padrão do cérebro. Por isso o começo importa tanto. O Hélio Tanomaru diz que é um mito a ideia de que os grandes pianistas aprenderam primeiro com ponta de dedo, mão redonda e pouco movimento, e só depois se soltaram. Ele sente isso na própria mão: quanto mais toca travado, pior fica tocar do jeito livre.
Os aplicativos com notinhas caindo e os joguinhos dão resultado rápido no começo. Os problemas aparecem lá na frente. É como construir uma casa sem preparar o terreno: as paredes racham, e consertar depois é derrubar e refazer.
Na Técnica Tanomaru, o adulto começa com três coisas:
- Ler partitura desde o primeiro dia, por dedução: nota que sobe na partitura vai para a direita no piano, nota que desce vai para a esquerda. No começo é mais lento, mas quem domina a partitura aprende as músicas muito mais rápido do que quem pulou essa etapa.
- A mão mais esticada e mais para dentro das teclas, em vez da mão redondinha com um dedo em cima de cada tecla branca.
- O braço indo para trás e para frente, para o dedo não fazer toda a força sozinho.
Nada disso é a coisa mais fácil de aprender logo de início. É preciso pensar exatamente no movimento da mão. Mas é uma habilidade nova, e não falta de talento.
Quem volta ao piano depois de anos
Muita gente tocou na infância ou na adolescência, parou e quer voltar. Aqui há uma vantagem e um cuidado.
A vantagem: quem já tocou aprende qualquer coisa nova mais rápido. O Hélio Tanomaru chama isso de coordenação acumulada. Os resultados se aceleram com o tempo, e por isso não vale se comparar com o professor.
O cuidado: ninguém aprende piano cem por cento certo. Quem começa do zero pega pequenos vícios porque está ocupado lendo notas e ritmo. Quem já toca costuma trazer vícios de mão e de postura, e eles só se corrigem com repetição. A boa notícia é que quem já toca coloca a técnica nova em prática mais rápido.
Outro ponto comum de quem volta: perder a fluidez de um trecho que já saía bem, depois de um tempo parado. Não é problema nenhum. Tudo o que não se usa se perde. Acontece com língua estrangeira, com músculo e com videogame.

Como estudar com pouco tempo
Para o adulto, o problema raramente é a capacidade. É a agenda. Alguns combinados que o Hélio Tanomaru repete aos alunos:
- O feito é sempre melhor do que o perfeito não feito. Entre o 8 e o 80 existem mais de 70 níveis.
- Travou numa aula, pule e siga em frente. Ao reassistir mais tarde, tudo faz mais sentido.
- Sem tempo de sentar ao piano, ouça as aulas lavando louça ou na sala de espera.
- Os exercícios podem ser feitos no ar, olhando o celular ou o tablet. Funciona quase tão bem quanto ter o piano na frente.
- Pause o vídeo e tente sozinho antes de fazer junto. Volte quantas vezes precisar, sem se sentir mal por isso.
- Estude um pouco todo dia. Quando um aluno perguntou em quanto tempo a técnica fica natural, a resposta do Hélio Tanomaru foi: uns três meses, estudando todo dia um pouco.
Não é preciso ter um piano caro
Começar com um super piano vira uma trava. Dá para começar com um teclado. O Hélio Tanomaru sempre fez aula de piano, mas dos 7 aos 10 ou 11 anos tinha em casa um teclado simples. O primeiro nível da formação dá para fazer num teclado.
O piano digital tenta ser uma réplica do piano. A escolha é pelo que cabe no bolso agora, e não pelo piano perfeito. Quem não sabe se vai gostar pode alugar um piano por uns meses antes de comprar, como fez um aluno da mentoria. Dá até para começar o curso antes de ter o instrumento, porque muita coisa é base teórica e os exercícios podem ser feitos no ar.
Perguntas frequentes
Preciso de escola de música ou de professor presencial?
Na maioria dos casos, não. O conselho do Hélio Tanomaru é escolher o professor, e não a escola. Uma escola pública forte vale pela teoria e pela música de câmara, desde que o professor não ensine o oposto do que você está aprendendo.
Minha mão é dura. Tem jeito?
Tem. O objetivo da Técnica Tanomaru é transformar mãos duras em mãos leves, inclusive de quem acha que já não tem idade. Um aluno que começou adulto, só com o curso, hoje toca uma Arabesque com os dedos esticados e o braço levando a mão.
Em quanto tempo a técnica fica natural?
Uns três meses, estudando um pouco todo dia, segundo o Hélio Tanomaru. Piano leva muitos anos, mas os resultados se aceleram com o tempo.
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