
As cinco ferramentas de toda sessão
Depois de muito teste com os alunos da Mentoria Concerto, o Hélio Tanomaru chegou a cinco ferramentas para toda sessão de estudo. Faltou uma, já não dá.
1. Espelho ou câmera. Olhando a própria mão de cima, você não vê o que está errado. Detalhes mais abaixo.
2. Caderno, de papel ou no celular. Antes de tocar, anotar o que vai fazer, em que andamento e por quanto tempo.
3. Zero notificações. Celular no modo avião ou no modo foco. Se mesmo assim ele atrapalha, timer e metrônomo físicos, e o celular longe.
4. Timer. Estudo sem limite de tempo vira "achar pelo em ovo".
5. Metrônomo. Não o tempo todo, mas em boa parte do estudo.
O ciclo de cada sessão é planejar, executar e analisar. Anotar o objetivo e o tempo, fazer, e depois ver o que deu e o que não deu. Quase todo mundo é bom em um dos três e fraco nos outros dois, e o mais esquecido costuma ser o analisar.
O que é estudar, e o que é só repetir
Para o Hélio Tanomaru, a repetição por si só não melhora nada. Ela consolida o que você já faz, certo ou errado. Para melhorar, é preciso fazer coisas diferentes. Uma sessão bem feita tem estes passos:
- Definir o trecho de hoje, e não a música inteira.
- Encontrou a dificuldade, quebre a dificuldade: trecho menor, depois mãos separadas, depois juntas.
- Resolver, que para ele significa tocar pelo menos três vezes seguidas certo o trecho que não saía, mesmo devagar.
- Já com tudo certo desde o lento: notas, ritmo, som e expressão juntos. Ler primeiro as notas, depois o ritmo e por último o resto é o jeito errado, porque o cérebro grava o ritmo errado também.
- Variar a cada repetição, em vez de repetir igual.
E uma coisa proibida: errar, voltar ao começo e tocar de novo rápido. Isso não é estudar. Quem faz isso toca o trecho fácil centenas de vezes e o difícil quase nada, e enjoa da música antes de chegar ao difícil. Errou, pare onde errou. Quem sabe dizer qual nota e qual tempo errou já andou mais da metade do caminho.
Se um trecho não sai de jeito nenhum, ou faltam as notas na cabeça, ou o movimento está errado. Insistir horas no mesmo dia só reforça o vício. Pare, troque de trecho e volte amanhã: muita coisa sai no dia seguinte sem estudo a mais.
Filme você estudando
Esta é a parte que mais falta em quem estuda sozinho. Não dá para corrigir a própria mão olhando para ela de cima. Tem que olhar para o espelho ou para a câmera. Nas palavras do Hélio Tanomaru, ou você é um gênio, ou precisa de retorno visual.
A montagem mais barata é um espelho de maquiagem preso numa estante de partitura simples, do lado da mão que você quer ver. Com um espelho só, troca-se de lado. A câmera do celular também serve, de lado e de cima, e um vídeo de cinco minutos basta.
O que procurar no vídeo: se você repete igual, sem mudar nada entre uma tentativa e outra; se a mão ou o punho endurecem num trecho; se o som sai batido; se o braço fica parado enquanto o dedo faz força sozinho. Gravar também mostra o progresso real, porque às vezes você acha que mudou e não mudou. Ele pede aos alunos um vídeo a cada dois ou três dias, num dia fixo, e sugere prever o que o professor diria antes de mandar.
Quem já estudou a posição da mão no piano sabe o que a mão em conchinha parece. É o tipo de coisa que só aparece no espelho.
Quando você precisa de correção de fora
O espelho só adianta para quem sabe o que procurar. Essa é a parte honesta da história. Os movimentos da Técnica Tanomaru têm regras precisas de direção, tamanho e momento, e ninguém as descobre olhando a própria mão. O Hélio Tanomaru levou anos imitando grandes pianistas em vídeo antes de conseguir sistematizar o que via.
Alguns sinais de que o estudo sozinho chegou ao limite:
- Dor ou cansaço no antebraço, no punho ou no ombro depois de tocar. Dor é sinal de movimento errado se repetindo, como está em dor no punho ao tocar piano. Dor forte, que continua depois de parar, pede médico ou fisioterapeuta.
- A mão trava quando você acelera, e estudar mais lento não resolve.
- Você estuda horas e não sai do lugar. Qualidade vence a repetição, e repetição só é boa quando o movimento está certo.
- O som sai batido ou superficial, e você não sabe por quê.
Ninguém aprende piano cem por cento certo sozinho. Quem começa do zero pega pequenos vícios porque está ocupado lendo notas e ritmo. A correção de fora serve para apontar o que o espelho mostra, mas você ainda não sabe ler.
Perguntas frequentes
Dá para aprender piano sozinho, só com vídeos?
Dá para aprender muita coisa, em especial leitura, ritmo e hábitos de estudo. O movimento é mais difícil, porque tem regras que você não vê sozinho. Por isso os cursos do Instituto Tanomaru têm correção de vídeo e aula ao vivo.
Quantas vezes devo repetir um trecho?
Para o Hélio Tanomaru, três vezes seguidas bem feitas bastam para o dia, porque a memória se consolida enquanto você dorme. Repetir sete ou dez vezes perfeitas é tempo jogado fora. Errou duas vezes seguidas, dê um passo atrás: mais lento, trecho menor ou mãos separadas.
Como não esquecer o que aprendi na aula?
Revise no mesmo dia, ou no máximo no dia seguinte, e anote. Explicar o movimento em voz alta, como se ensinasse alguém, ajuda a fixar. Depois, espace as revisões.
Preciso de muito tempo por dia?
Não. Pouco e todo dia rende mais do que muito de uma vez. Quem tem pouco tempo encontra ideias em aprender piano depois de adulto.
Próximo passo
Estudar sozinho fica muito mais fácil quando alguém mostra o que procurar no espelho. A Formação Completa reúne todos os cursos do Instituto Tanomaru, do iniciante ao avançado, com aula ao vivo toda semana. Se você não sabe em que nível entrar, o guia gratuito Seu caminho mostra por onde começar.
Todos os cursos do Instituto Tanomaru, do iniciante ao avançado, com aula ao vivo toda semana com o Hélio Tanomaru.
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