
O que é velocidade no piano
Velocidade não é dedo rápido. É movimento curto, no lugar certo e na hora certa. Quanto mais rápido o trecho, menores ficam os movimentos e mais notas cabem dentro de um movimento só. Nas escalas e arpejos muito rápidos, um grupo inteiro de notas vira um gesto único, e é por isso que, nas mãos dos grandes pianistas, quase não se vê nada acontecendo.
Dos movimentos que a mão e o braço fazem ao piano, só dois são rápidos de verdade, segundo o Hélio Tanomaru: a pinça e a rotação do antebraço. Os outros existem e têm função, mas são lentos perto desses dois. Como cada um funciona, com suas regras e direções, é o que os cursos ensinam uma coisa de cada vez. O que dá para dizer aqui é que a pinça só acontece a partir de uma posição de mão que a maioria das pessoas não tem, e essa é a primeira coisa corrigida, como está em posição da mão no piano.
Por que o lento não vira rápido sozinho
No lento, o dedo tem tempo de empurrar a tecla, de curvar e de procurar a próxima nota. No rápido, não tem. As etapas que se veem no lento somem no rápido. Repetir mil vezes um movimento de lento e esperar que ele vire um movimento de rápido é a conta que não fecha. São dois jeitos de tocar, e o segundo não nasce sozinho do primeiro.
Por isso a mão trava quando você acelera: você está pedindo ao movimento do lento que faça um trabalho que não é dele.
O estudo lento certo
Isso não quer dizer que o lento não serve. Serve, mas de outro jeito.
Lento com as mãos, rápido com a mente. Os dedos vão devagar, e a cabeça já está no próximo acorde, no dedilhado e no ponto onde costuma errar. Estudar lento descobrindo nota a nota, com a mente lenta, é o que o Hélio Tanomaru chama de apostar em vez de praticar: tenta, erra, tenta de novo, sempre no mesmo lugar.
A troca de posição e o preparo do próximo dedo continuam rápidos, mesmo quando as notas saem devagar. Para ele, esse é um dos segredos de quem toca coisas muito rápidas. Sem isso, a pessoa bate num teto e não sai do nível iniciante.
E a primeira vez tem que sair certa. Um trecho é como uma conta: a primeira vez é a mais difícil, e depois de acertar é só repetir. Se você erra nove e acerta uma, o cérebro guarda o erro, porque ele é estatístico. No piano, qualidade vale mais do que quantidade.
Variações rítmicas: a melhor forma de ganhar agilidade
Para o Hélio Tanomaru, as variações rítmicas são a melhor forma de treinar agilidade sem travar o músculo. A ideia é simples: cada variação faz um trecho curto rápido e para. Assim você treina o movimento do rápido sem atropelar, e a parada mostra na hora se a mão ficou dura.
O contrário, repetir e repetir no mesmo andamento, é contração em cima de contração. Vêm o cansaço, a queimação e, se a pessoa insiste, a dor. No piano, em vez de aumentar o número de repetições, é melhor aumentar o número de variações. E tanto faz começar pelo lento ou pelo rápido com variações: o importante é variar o tipo de estudo.
Metrônomo sem forçar
O metrônomo entra, mas não como "sobe até travar". Começa-se no andamento em que tudo sai certo e a mente consegue ficar à frente dos dedos. Daí em diante, a subida é planejada, como na academia: ninguém pega um peso aleatório por dia esperando chegar um dia aos cem quilos. O Hélio Tanomaru anota o andamento de cada peça num caderno e compara com o último estudo, porque o que não é medido não pode ser melhorado. A progressão exata é uma das coisas que ele ensina no curso.
Quando o andamento trava, não adianta forçar. Duas saídas funcionam: voltar um pouco e conferir cada detalhe antes de subir de novo, ou aumentar o número de variações. E sem paradinhas. É muito fácil ver quem não estuda com metrônomo: corre, para, corre de novo. Muito melhor devagar e sem parar.
O que trava a velocidade
Alguns erros aparecem quase sempre em quem não consegue acelerar:
- A mão em conchinha, com os dedos redondos, que só permite movimentos lentos.
- Tocar na superfície da tecla. Sem o fundo da tecla, não há propulsão.
- Segurar as notas no rápido. Não dá tempo de ligar uma na outra.
- Contrair de novo antes de terminar de soltar. O som batido denuncia.
- Ficar parado no mesmo lugar. Parado trava; o braço em movimento solta.
- Forçar o andamento quando ele empaca.
Quem força a velocidade com o movimento errado paga no antebraço, e é assim que muita gente chega à dor, como está em dor no antebraço e no ombro ao tocar piano. Dor forte, que continua depois de parar, pede avaliação de um médico ou fisioterapeuta. A técnica muda o movimento; não trata lesão.
Perguntas frequentes
Exercícios de dedo dão velocidade?
Dão a sensação de fortalecer, mas podem colocar a mão numa posição forçada e viciar o movimento. Para o Hélio Tanomaru, a diferença entre o remédio e o veneno está na dose, e exercício nunca deve ser a maior parte do estudo.
Em quanto tempo consigo tocar rápido?
Não há número honesto para isso. A velocidade sobe aos poucos, com a progressão planejada do metrônomo e com as variações, e sobe mais rápido quando o movimento está certo. Quem muda o movimento costuma sentir as coisas se encaixando em uns dois meses, mas cada trecho novo pede o trabalho de novo.
Minha mão esquerda é mais lenta. É normal?
É comum. A maior parte do repertório é para a mão direita, então a esquerda costuma estar mais fria. Ela pede o mesmo estudo: lento, variações e só então rápido.
Devo sentir adrenalina nos trechos rápidos?
Não enquanto estuda. Quem associa um trecho rápido a adrenalina acaba correndo, e, nas palavras dele, se você corre, não existe técnica que resolva. A emoção entra depois que o trecho está pronto.
Próximo passo
Tocar rápido é resultado de um conjunto de movimentos que se aprendem em ordem, do lento ao quase invisível. A Formação Completa reúne todos os cursos do Instituto Tanomaru, do iniciante ao avançado, com aula ao vivo toda semana. Se você não sabe em que nível entrar, o guia gratuito Seu caminho mostra por onde começar.
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